sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Metade
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Metade - Oswaldo Montenegro
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Deus não está morto ainda
O argumento cosmológico
Uma formulação simples do argumento é:
1. Tudo o que existe tem uma explicação para sua existência (tanto na necessidade de sua própria natureza como em uma causa exterior).
2. Se o universo tem uma explicação para a sua existência, esta explicação é Deus.
3. O universo existe.
4. Portanto, a explicação para a existência do universo é Deus.
O argumento cosmológico de kalam. Esta versão do argumento tem uma rica herança islâmica. Sua formulação é simples:
1. Tudo que tem um início tem uma causa.
2. O universo começou a existir.
3. Portanto, o universo tem uma causa.
O argumento teleológico
Mas o destaque na discussão está no recém descoberto extraordinário ajuste fino do cosmos para a vida. Este ajuste fino é de dois tipos. Primeiro, quando as leis da natureza são expressas como equações matemáticas, elas contém certas constantes, como a constante gravitacional. Os valores matemáticos dessas constantes não são determinados pelas leis da natureza. Segundo, existem certas quantidades arbitrárias que são apenas partes das condições iniciais do universo — por exemplo, a quantidade de entropia. Estas constantes e quantidades incidem em um conjunto extraordinariamente limitado de valores que permitem a vida. Se tais constantes e quantidades fossem alteradas por menos que a espessura de um fio de cabelo, o equilíbrio que permite a vida seria destruído, e a vida não iria existir.
1. O ajuste fino do universo é resultado da necessidade física, ou da sorte ou do design.
2. Ele não é resultado da necessidade física e nem da sorte.
3. Portanto, ele é resultado do design.
O argumento moral
Um número de filósofos morais têm defendido a teoria ética do “comando divino”, que suporta diversos argumentos morais para a existência de Deus. Por exemplo:
1. Se Deus não existe, então valores morais e obrigações objetivos não existem.
2. Valores morais e obrigações objetivos existem.
3. Portanto, Deus existe.
O argumento ontológico
Deus, observa Anselmo, é por definição o maior ser concebível. Se você pudesse conceber algo maior do que Deus, então isso seria Deus. Portanto, Deus é o maior ser concebível, um ser maximamente grande. Então, como seria tal ser? Ele seria todo-poderoso, onisciente e todo-bondoso, e iria existir em todo os mundos logicamente possíveis. Então pode-se argumentar:
1. É possível que um ser maximamente grande (Deus) exista.
2. Se é possível que um ser maximamente grande exista, então um ser maximamente grande existe em algum mundo possível.
3. Se um ser maximamente grande existe em algum mundo possível, então ele existe em todos os mundos possíveis.
4. Se um ser maximamente grande existe em todos os mundos possíveis, então ele existe no mundo real.
5. Portanto, um ser maximamente grande existe no mundo real.
6. Portanto, um ser maximamente grande existe.
7. Portanto, Deus existe.
Autor: Willan Lane Graig
Trecho do artigo ‘Deus não está morto ainda’ escrito em inglês para a Revista Christianity Today
Willian Lane Graig que é um filósofo, teólogo, historiador do Novo Testamento e apologista cristão norte americano. Atua como professor de Filosofia na Faculdade de Teologia Talbot da Universidade Biola em La Miranda, Califórnia
Fonte original: http://www.christianitytoday.com/ct/2008/july/13.22.html
Retirado de: http://amandoaoproximo.blogspot.com/2009/11/alguns-argumentos-sobre-existencia-de.html
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Correndo riscos

domingo, 15 de novembro de 2009
Sonha e vive

“Sem sonhos, as perdas se tornam insuportáveis, as pedras do caminho se tornam montanhas, os fracassos se transformam em golpes fatais. Mas se você tiver grandes sonhos... Seus erros produzirão crescimento, seus desafios produzirão oportunidades, seus medos produzirão coragem.(...) Moisés, Einstein, Thomas Edison, e muitos outros foram grandes sonhadores. Estes homens mudaram a história porque tiveram grandes projectos. Tiveram grandes projectos porque viveram grandes sonhos. Seus sonhos aliviaram suas dores, trouxeram esperanças nas perdas, renovaram suas forças nas derrotas. Seus sonhos transformaram sua inteligência num solo fértil."
Extraído do livro Nunca desista de seus sonhos de Augusto Cury.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Violência banal

A partir do momento em que o homem atua na natureza ou intencionalmente, ou por omissão, ou ainda por descaso e provoca prejuízos, podemos falar em violência.
Existe prejuízo quando privamos alguém daquilo a que tem direito e com isso lhe causamos dor, sofrimento e o “diminuímos” em sua humanidade. Não mais o vemos em sua integridade, como um sujeito, dono de si, senhor de direitos, mas como uma coisa.
Nesse caso, estamos provocando a destruição do outro, que se configura a partir de diversos tipos de violência: ferir, matar, prender, roubar, ameaçar, humilhar. Essas formas atingem a integridade do homem e da vida, a liberdade de movimento, o direito a propriedade, ou ainda perturbam o espírito e a dignidade das pessoas. Por isso a violência se exerce não só quando matamos e ferimos alguém, mas também quando por exemplo, o caluniamos (ferimos sua imagem pública) ou quando o doutrinamos (impedimos seu livre exercício de critica).
Aranha, Maria Lúcia de Aruuda; Violência em debate(1996)
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
A Reforma

Robert Farrar Capon
domingo, 25 de outubro de 2009
Eles são gente como eu por Vitor Ferolla

Preocupo-me demais com todo esse imenso ódio e desprezo à raça judaica esteja ela espalhada pelo mundo ou em sua pátria amada Israel. Minha coleção de cartuns, imagens e charges “anti-sionistas” e “revisionistas” que guardo em uma pasta está batendo recordes de crescimento. Os textos anti-Israel antes raros de ser achar hoje encontro vindo até de pastores e, por mais absurdo que soe, também de alguns judeus loucos.
No começo eu era apenas um pesquisador e um cristão que como discípulo de Cristo deve pregar o amor e combater o ódio. Hoje meu papel de pesquisador saiu do âmbito pessoal para o campo dos debates e escritos. Basta escrever “Conflito Árabe-Israelense” no Google que estou na 1ª página. Já a questão religiosa me colocou em choque: sou acusado de alienado, fanático e sanguinário mesmo sem nunca ter utilizado de argumentos bíblicos sobre a posse daquela terra (mesmo porque são poucos os judeus que acreditam que aquela terra pertença a eles por vontade divina). Recentemente numa palestra fiz papel de chato ao criticar um xiita, e o xaato nem foi isso o xaato mesmo foi ser o único em uma platéia de mais de 40 pessoas a criticar afirmações claras de negação do holocausto. Consegue entender meu desespero?
Quero evitar más interpretações do que penso. Dizer que sou a favor de alguma atitude militar para impedir os 8 anos de foguetes contra o sul de Israel não significa necessariamente que defendo a morte de crianças e civis inocentes. Na verdade, quando defendi Israel no começo do conflito minha opinião era bem próxima à de Amoz Oz. O que me fazia ser contra o Hamas era exatamente minha aversão à morte de civis inocentes, mesmo porque nunca li notícias de foguetes Quassams atirados contra alvos militares e o sangue dos judeus não valem menos que o dos árabes. Mesmo durante a guerra enquanto Israel oferecia livre acesso a hospitais e recursos a qualquer civil palestino interessado em abandonar Gaza os “democráticos” terroristas do Hamas utilizavam seus civis e suas crianças de escudos humanos, escondia armas em escolas e ambulâncias além de aproveitar do cessar fogo (entrada de recursos humanitários) como um intervalo de reabastecimento ou uma oportunidade de pegar algum civil do sul de Israel desprevenido.
Nesse momento que meu lado cristão fala mais forte. Por que sofro tanto com algo tão sério e imenso para minhas atitudes? Nunca recebi nenhum comentário ou e-mail de um anti-semita arrependido. Sei que é certo e nobre o que sinto, mas ansiedade e perturbação são anti-bíblicos. Decido voltar ao início dos meus propósitos como blogueiro: amar meu próximo, perdoar meus inimigos. Nunca achei que seria fácil, mas preocupar e me chatear com as ofensas anti-semitas ou de cunho pessoal me soa mais feio e alarmante que o aparente perdão não merecido.
Sou impedido de combater o ódio com o ódio porque fui amado mesmo com preconceitos, falhas, erros e também ódios. Minha fé me impede de odiar um neonazista, um terrorista ou um militante de extrema esquerda anti-sionista, pois herdo o conceito de amor e perdão de ex-perseguidores religiosos (como Paulo), ex-assassinos (como Moisés) e até de adúlteros arrependidos (como Davi). Esse favor imerecido oferece oportunidade de nova vida e alegria até para o mais cruel racista, bandido ou político corrupto. A verdade é que me vejo tão “terrorista” quanto qualquer homem-bomba no sentido de também ser humano e também precisar de arrependimento para herdar o Reino dos céus.
Vitor Ferolla
www.amandoaoproximo.blogspot.com
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
O poder da morte

No romance The moviegoer de Walker Percy conta-se a história de um viajante de trem a caminho de casa depois de um serviço bem-sucedido, um homem que se sente inexplicavelmente mal na proporção das muitas razões que tem para sentir-se bem. Ele sofre um ataque repentino do coração e é removido do trem numa estação pela qual passou inúmeras vezes mas nunca visitou. Quando começa a recuperar a consciência, o viajante está na cama de um hospital estranho, cercado por pessoas que não conhece. Enquanto seu olhar passeia pelo quarto, ele avista uma mão colocada sobre o lençol diante dele. É como se ele nunca tivesse visto até aquele momento sua própria mão — essa coisa extraordinária capaz de mover-se de diferentes maneiras — abrir e fechar.
Percy prossegue falando desse despertar como uma revelação, uma experiência daquilo que os teólogos chamam de "graça natural". Através do seu ataque do coração o viajante pôde encontrar-se consigo mesmo e com sua vida de um modo que não havia sido possível durante anos, absorvido que estava no que ele chama de "cotidianidade". A provação restaurou-o a ele mesmo. O evento é de enorme importância, pois o que ele decidir fazer da experiência determinará a alocação do seu futuro. Quando ele viajava de trem todos os dias, era dominado por um desespero sem nome. Agora a catástrofe do ataque cardíaco o havia liberado da paralisia de uma morte em vida e lançara-o numa busca por significado.
No hospital ele permanece olhando para sua mão. Diz o viajante: "Minha mão estava aberta diante do meu rosto. Os dedos abriam e fechavam. Senti-me como Rip Van Winkle (personagem de uma história de Washinton Irving, que adormece debaixo de uma árvore e só acorda vinte anos depois) despertando e testando os ossos. Havia algo quebrado? Eu estaria ainda inteiro?"
Apenas a realidade da morte é poderosa o bastante para despertar as pessoas para fora da morosidade da vida diária e fazê-las adentrar uma busca ativa pelo sentido da vida. Percy mergulha seus heróis no desastre e no suplício, apenas para falar, de dentro do redemoinho, dos piores momentos como sendo os melhores momentos, da preferencialidade dos furacões ao bom tempo, sobre a disposição de soldados de voltar aos seus piores pesadelos. Os personagens de Percy não apenas sobrevivem à catástrofe, mas descobrem nela a liberdade para agir e para ser. O viajante agarra sua existência pelo pescoço e dá início a uma vida renovada num mundo corriqueiro que não foi ainda purificado de sua "cotidianidade".
Adaptado do livro “O Evangelho Maltrapilho” de Brennan Manning; Ed. MC; pgs. 97 e 98

